Estuário do rio Tejo – Nauticapress https://www.nauticapress.com revista on-line Tue, 20 Aug 2019 11:38:22 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.3 Tagus Marina: Conhecer o Tejo de uma forma diferente https://www.nauticapress.com/tagus-marina-conhecer-o-tejo-de-uma-forma-diferente/ https://www.nauticapress.com/tagus-marina-conhecer-o-tejo-de-uma-forma-diferente/#respond Tue, 20 Aug 2019 11:38:22 +0000 https://www.nauticapress.com/?p=1000000021092 A Tagus Marina está a lançar o novo conceito de passeio marítimo-turístico em Lisboa em plena Marina do Parque das Nações. Os viajantes são convidados a desligar do stress caótico de uma grande capital europeia para embarcar num passeio calmo e relaxado onde nem ruído do motor da embarcação se faz sentir.

A frota de barcos para os passeios são do construtor Canadian Electric Boat Company e a propulsão 100% elétrica. Os motores são da Torqeedo, parceira da BMW no desenvolvimento de baterias de última geração, e não emitem gases com efeito de estufa.

O Volt 180 é construído pelo estaleiro canadiano Electric Boat Company

Programas
O passeio mais curto dura apenas uma hora, tem várias saídas diárias e levará os passageiros desde a Marina do Parque das Nações até à Ponte Vasco da Gama, mostrando uma nova perspetiva de toda a arquitetura deste nobre bairro construído para receber a EXPO 98. Os mais aventureiros têm ao seu dispor opções de passeios de natureza mais longos. As visitas aos mouchões (ilhas de agricultura do Estuário do Rio Tejo) ou o desembarque em plena Reserva Natural do Estuário do Tejo em parceria com o Espaço de Visitação e Observação de Aves (EVOA) são outras das possibilidades.
A Reserva Natural do Estuário do Tejo é uma das dez zonas húmidas mais importantes da Europa, em especial para a sua avifauna, que procura as águas salobras da região. O objetivo é providenciar aos passageiros uma experiência memorável num ambiente natural e confortável, respeitando inteiramente o ecossistema salinizado de mais de uma centena de espécies de aves aquáticas e migratórias.

Flamingos nos mouchões do rio Tejo.

Chegada ao Evoa

A nossa experiência
Escolhemos o programa mais completo para conhecer as propostas da Tagus Marina, navegação no rio Tejo com visita ao Evoa. É um programa com duração estimada de 5h 30m e sujeito às marés.
O barco, modelo Volt 180, é construído pelo estaleiro canadiano Electric Boat Company especializado na construção de barcos com motores elétricos. O Volt 180 tem 5,40 m de comprimento, uma boca de 2,13 m, cala 0,30 m e tem a capacidade para receber 11 pessoas a bordo. Possui diferentes configurações de layout adaptando-se, desta forma, às necessidades do cliente. O Volt 180, com 8 adultos a bordo, estava equipado com um motor Torqeedo Cruiser 10.0 com uma potência de 12kW (equivalente a 20 Cv nos motores de combustão) e teve um bom comportamento de navegação, é estável e tem um baixo consumo de energia mesmo, quando navegámos com algum vento.

Grande diversidade e quantidade de aves que se podem observar no Evoa

O rio Tejo, nas zonas dos mouchões, possui um grande potencial para a observação de aves. Ao longo do primeiro trajeto conseguimos observar inúmeros espécies nomeadamente, flamingos, colhereiros, ibis negras e pernilongos. Chegados ao Evoa, no cais, tínhamos um carro elétrico que nos levou a visitar o Centro de Interpretação e os diversos postos de observação. A variedade e quantidade de espécies que observámos é indescritível!
O regresso à marina foi já ao fim da tarde e já com algum vento. O comportamento do conjunto é irrepreensível face às condições do rio (alguma mareta) e, ao longo do nosso trajeto e entre alguns salpicos, observamos centenas de flamingos e grandes bandos de aves (não consegui identificar) em voo.
Chegados à Marina Parque das Nações, a manobra de atracagem fez-se com grande facilidade.

O alojamento embarcado em fase de preparação.

O projeto
A Tagus Marina, com base no Edifício Nau da Marina do Parque das Nações, pretende ser uma referência de turismo de natureza embarcado no Estuário do Tejo, através da oferta de um serviço inovador e de qualidade. Em breve irá lançar um novo produto na área do alojamento embarcado!

As reservas online podem ser feitas em www.tagusmarina.com

]]>
https://www.nauticapress.com/tagus-marina-conhecer-o-tejo-de-uma-forma-diferente/feed/ 0
Estuário do Rio Tejo – Rumo à Moita https://www.nauticapress.com/estuario-do-rio-tejo-rumo-a-moita/ https://www.nauticapress.com/estuario-do-rio-tejo-rumo-a-moita/#respond Wed, 16 Nov 2016 10:12:31 +0000 http://www.nauticapress.com/?p=1000000014293 estuario_moita

Nestas nossas andanças pelos portos fluviais do estuário do Tejo, locais onde as embarcações tradicionais do Tejo pontificaram, visitámos a Moita.

dsc_0302

dsc_0052

O acesso à Moita está condicionado pelas marés.

 

dsc_0050_1

As aves aquáticas em grande atividade durante a baixa-mar.

Apesar das embarcações tradicionais que se encontram no cais da Moita é difícil imaginar, para um visitante, qual foi a real dimensão/importância desta povoação até sensivelmente aos anos cinquenta do século XX. A falta de informação (painéis, por exemplo) e referências arquitetónicas relativas aos tempos passados é uma realidade. Para quem chega pela água, ao ritmo das marés, o impacto da entrada no canal, ao nível da beleza natural, é grande mas, ao nível das infra-estruturas de acolhimento são praticamente inexistentes. Esta situação enfraquece a capacidade de acolhimento da região e, não ajuda o desenvolvimento da economia local. Chegados a terra não existe qualquer tipo de informação que nos leve a conhecer a história da região e locais/edifícios que foram outrora emblemáticos na importante relação da Moita com o estuário do rio Tejo. Felizmente, começa a aparecer uma nova geração de pessoas preocupadas com o património e com as tradições como é o caso do projeto Tejo ConVida. Esta nova geração não nega as suas origens e vê, nas tradições, uma forma de desenvolvimento da região do ponto de vista turístico e económico.

dsc_0055

As Festas da Moita dão outro colorido.

 

dsc_0046

Instalações do Centro Náutico Moitense.

 

dsc_0015

Escadas de acesso ao cais.

Cais da Moita
O Cais da Moita desempenhou, ao longo de séculos, um papel de grande relevância. O movimento fluvial de e para Lisboa, com mercadorias ou com passageiros, atribuiu a este ancoradouro uma grande importância económica e social. Durante séculos, o Cais foi o coração da vila da Moita. Toda a vida gravitava em seu torno. Era a grande porta para o exterior.
Aqui chegavam viajantes, carroças e carretas de bois carregadas de produtos, a fim de tomarem a carreira do barco para a cidade de Lisboa. Devido a toda essa movimentação diária de passageiros e mercadorias, cujo aumento se verificou a partir do século XVII, o cais transformou-se num verdadeiro posto de trabalho, onde um grande número de homens desempenhavam as tarefas de carregadores, vivendo das necessidades dos carregamentos que cada maré permitia efetuar.
Fonte: Retrato em Movimento do Concelho da Moita, Câmara Municipal da Moita, 2004

dsc_0025

dsc_0050

dsc_0082Embarcações Tradicionais
Ligada a uma tradição de transportes entre as duas margens do Tejo, a atividade naval faz com que no território da Moita (tal como em toda a zona do Estuário do Tejo) se desenvolvessem embarcações que, pelo seu tamanho e características, respondessem às necessidades exigidas.
Assim, entre os barcos que nesta área tiveram mais desenvolvimento destacam-se os botes, as faluas, os varinos e as fragatas. Destes barcos possui a Câmara Municipal da Moita um exemplar; um varino “O Boa Viagem”. A recuperação desta embarcação tradicional entre 1980 e 1981, no estaleiro naval do mestre José Lopes, teve a Câmara Municipal da Moita como pioneira, seguida posteriormente por outras autarquias.
Entre os anos de 2010 e 2011, “O Boa Viagem” foi de novo submetido a uma grande intervenção que envolveu a própria estrutura da embarcação, no estaleiro naval de Sarilhos Pequenos. Ao longo deste processo de recuperação foram utilizadas as ancestrais técnicas de carpintaria naval, calafeto, tratamento e pinturas das madeiras.
O varino é uma embarcação de fundo chato, para navegar nos esteiros do rio, com águas de pouca profundidade. Exibe uma proa redonda, encimada pelo caneco ou capelo também aduncadamente recurvo para dentro. Ostenta as características pinturas decorativas no painel da proa, na antepara e nos barbados, conferindo-lhe um colorido inconfundível. Tem cerca de vinte metros de comprimento por cinco de largura, podendo transportar até duzentas toneladas.
Numa perspetiva de valorização deste património, “O Boa Viagem” foi classificado como um bem cultural de interesse municipal, em Reunião de Câmara de 11 de Setembro de 2011.
Fonte: Retrato em Movimento do Concelho da Moita, Câmara Municipal da Moita, 2004

dsc_0081

dsc_0075Estaleiro Naval do Gaio
O estaleiro foi construído de raiz no início do século XX e, pelo pai de Mestre Lopes, constituindo-se numa verdadeira escola de profissionais da arte naval. No Estaleiro Naval do Gaio foi construída a última embarcação tradicional do Tejo, o bote de meia quilha “Sejas Feliz” e, no início da década de oitenta, foram recuperadas as primeiras embarcações com funções de lazer, entre as quais se destaca o varino “O Boa Viagem” da Câmara Municipal da Moita.
Nos tempos áureos, em que o estaleiro estava em grande atividade, trabalhava aqui um grande número de profissionais da arte de construção naval, como carpinteiros, serradores e calafates.
O estaleiro do Gaio constitui um valioso legado patrimonial, não só pelo conjunto de saberes técnicos tradicionais, como também por toda a herança material (instrumentos e utensílios de trabalho) de que ainda dispõe e que é de grande importância para o estudo da arquitetura naval e para o entendimento da história local.
Fonte: Retrato em Movimento do Concelho da Moita, Câmara Municipal da Moita, 2004

dsc_0124Estaleiro Naval de Sarilhos Pequenos
O Estaleiro de Sarilhos Pequenos foi comprado pelo seu atual proprietário, o Mestre Jaime Ferreira da Costa, no ano de 1957, numa época em que a construção naval era uma atividade florescente. Com o declínio do transporte fluvial, o estaleiro deixou de estar vocacionado para a construção de embarcações tradicionais do Tejo e a sua atividade passou a incidir na recuperação e manutenção de diferentes tipos de barcos de recreio, entre os quais se destacam os das Câmaras Municipais.
Fonte: Retrato em Movimento do Concelho da Moita, Câmara Municipal da Moita, 2004

Apoio

https://www.yamaha-motor.eu/pt/produtos/fora-de-borda/index.aspx

https://www.yamaha-motor.eu/pt/produtos/fora-de-borda/index.aspx

]]>
https://www.nauticapress.com/estuario-do-rio-tejo-rumo-a-moita/feed/ 0