Volta a Portugal à Vela regressou em grande com oito dias de competição ao longo da costa portuguesa

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A Volta a Portugal à Vela voltou a disputar-se em 2026, 23 anos depois da última edição, confirmando o sucesso do regresso de uma das mais emblemáticas competições da vela nacional. Durante oito dias, 31 embarcações e mais de duas centenas de velejadores percorreram cerca de 355 milhas náuticas entre Vila Nova de Gaia e Portimão, enfrentando condições meteorológicas muito variadas, desde a forte nortada característica da costa norte até períodos de ausência quase total de vento.

A prova arrancou na Frente Atlântica do Porto, com uma etapa costeira entre Vila Nova de Gaia, Porto e Matosinhos. A forte nortada proporcionou um início exigente e espetacular, obrigando as tripulações a demonstrar elevada capacidade técnica e rigor tático. Na estreia da competição, o Papa Léguas II venceu na classe ORC, enquanto o Funbel-NACEX se impôs na classe ANC.

A segunda etapa levou a frota até à Figueira da Foz, beneficiando de excelentes condições de vento do quadrante norte que permitiram uma regata rápida e competitiva ao longo da costa centro. O MAKAI, de Miguel Fonseca, foi a embarcação mais rápida da ligação, assumindo igualmente a liderança da classificação geral da classe ORC.

Ainda na Figueira da Foz disputou-se a terceira etapa, uma regata costeira entre a praia e o Cabo Mondego. Com vento moderado e ondulação atlântica, a estratégia voltou a desempenhar um papel decisivo. O Pocket Rocket venceu na classe ORC, enquanto o Funbel-NACEX reforçou a liderança na classe ANC.

A quarta etapa, entre a Figueira da Foz e Cascais, revelou-se uma das mais difíceis da competição. A escassez de vento obrigou a Direção de Prova a encurtar o percurso junto ao Cabo da Roca, numa decisão tomada por razões de segurança e equilíbrio competitivo. Apesar da longa navegação e da progressão lenta da frota, as tripulações demonstraram grande capacidade de adaptação às difíceis condições meteorológicas.

Já no quinto dia, a Volta a Portugal proporcionou um dos momentos mais marcantes da edição, com uma regata entre a Baía de Cascais e a Doca de Belém. A passagem junto à Torre de Belém, ao Padrão dos Descobrimentos e à Ponte 25 de Abril ofereceu um espetáculo único ao público. O Papa Léguas II venceu a etapa na classe ORC, enquanto o Mad Max – Hacker Kitchen triunfou na classe ANC, depois de ver deferido um pedido de reparação relacionado com um incidente ocorrido logo após a partida.

A sexta etapa conduziu a frota até Sines. A ausência de vento nas primeiras horas obrigou todas as embarcações a recorrer temporariamente aos motores antes de poderem voltar a competir exclusivamente à vela ao largo da Costa da Caparica. Com o vento a intensificar-se durante a tarde, o MAKAI voltou a destacar-se, consolidando a liderança na classe ORC, enquanto o Funbel-NACEX reforçou a vantagem na classe ANC.

A ligação entre Sines e Portimão, disputada no sétimo dia, decorreu sob uma nortada constante de cerca de 15 nós, permitindo uma das travessias mais rápidas de sempre entre aqueles dois portos. O Mad Max – Hacker Kitchen liderou a navegação em tempo real até ao Algarve, enquanto as classificações gerais permaneciam em aberto antes da derradeira regata.

A decisão aconteceu em Portimão, onde uma regata costeira encerrou a edição de 2026. Com vento moderado e excelentes condições de navegação, o MAKAI confirmou a vitória final na classe ORC e o Funbel conquistou o triunfo na classe ANC, tornando-se os vencedores da primeira Volta a Portugal à Vela do século XXI.

Na classificação final da classe ORC, o MAKAI terminou no primeiro lugar, seguido do Mar Meu e do Pocket Rocket. Na classe ANC, o Funbel venceu, com o Anthea na segunda posição e o BLU a completar o pódio.

Organizada pela Federação Portuguesa de Vela, a prova voltou a afirmar-se como muito mais do que uma competição desportiva. Ao longo de oito dias, promoveu a vela nacional, valorizou o património marítimo português e aproximou o público da modalidade, passando por alguns dos mais emblemáticos cenários costeiros do país.

Terminada a edição de 2026, a organização iniciou já os preparativos para 2027, ano em que a Federação Portuguesa de Vela assinala o seu centenário, com o objetivo de consolidar definitivamente a Volta a Portugal à Vela como um dos grandes eventos do calendário náutico nacional.

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