- Novos postos de amarração (expansão da Marina de Lagos): 102 | Aumento previsto: 21%.
- Requalificação e reorganização na área portuária (postos por tipologia): 55 pesca profissional | 41 Clube de Vela de Lagos | 170 recreio local | 102 Marina de Lagos.
- Infraestruturas: 1 900 m² Yacht Club | 8 espaços comerciais | 135 lugares de estacionamento | 420 m² armazéns de aprestos | 40 000 m² limpeza do porto.
- Impacto económico atual associado à Marina de Lagos: 474 postos de amarração | 106 empresas | 1 350 postos de trabalho | volume de negócios 27–30 M€.
- Metas ambientais do projeto: resiliência climática, redução do impacto ambiental, recuperação de biodiversidade e compromisso ESG, incluindo o projeto BIOHUT (Ecocean/CCMAR/Universidade do Algarve).
A Marina de Lagos assinalou, no passado dia 12 de Fevereiro, o arranque do seu projeto de expansão, um investimento estimado em cerca de 13 milhões de euros que acrescenta 102 novos pontos de amarração e requalifica a frente sul do Porto de Pesca, numa das áreas mais visíveis a partir do centro histórico.
Além de reforçar a capacidade para embarcações entre 10 e 30 metros, o projeto articula funções de pesca, recreio e cidade: prevê pontões para 55 embarcações de pesca, a relocalização e requalificação dos pontões do Clube de Vela de Lagos, 170 lugares para recreio local e a construção de um Yacht Club (1 900 m²), com oito espaços comerciais e uma Praça Náutica de cerca de 2 500 m², desenhada para fruição pública e para acolher eventos, sobretudo náuticos.
- Martinho Fortunato
Promovida pela Marlagos – Iniciativas Turísticas, S.A., a expansão é encarada como uma oportunidade para, nas palavras do administrador, «requalificar uma zona muito nobre da cidade», deixando o mote de que terá «um impacto grande na comunidade local». Martinho Fortunato sublinhou que o projeto responde também à procura por embarcações de maior dimensão – «são barcos de 10 a 30 metros» – e acrescentou que a intervenção inclui um Yacht Club pensado como «um centro de eventos», com «8 lojas e uma praça muito grande», para acolher iniciativas ligadas ao mar e atrair a população a esta área.
O promotor destacou ainda que parte do projeto resulta de contrapartidas associadas ao licenciamento, incluindo a construção de pontões «para 55 barcos de pesca», a relocalização e requalificação dos pontões do Clube de Vela de Lagos e a construção de um pontão «com 170 lugares para utilizadores locais, com preços condicionados».
- Mário Martins
Do ponto de vista arquitetónico, o projeto foi apresentado como uma «ligação efetiva à cidade», assumida pelo arquiteto responsável como uma «requalificação urbana, aberta à cidade». «O próprio edifício é atravessado e os pontões são públicos e podem ser usados como passeios públicos», afirmou Mário Martins, apontando a nova praça como «um espaço de fruição e de memória associado à identidade marítima de Lagos» e defendendo a necessidade de «desmistificar a ideia» de que um Yacht Club tem de ser «um espaço fechado».
Para a autarquia, a importância da obra resulta também da forma como reposiciona uma zona sensível da cidade. «É quase a montra de quem olha do lado do centro para este lado, para o lado do mar», assumiu Hugo Pereira, lembrando que «há muito que se exigia que esta zona fosse qualificada, tanto por questões de organização e segurança como pelo potencial do local». O presidente da Câmara Municipal de Lagos defendeu que a intervenção permite «conseguir meter todas as forças a operar neste local», garantindo que quem já ali trabalhava «tinha de continuar com as condições melhoradas». Sobre a expansão, sintetizou a mais-valia: «Vai dar um maior poder de atração de novos tipos de barco, enquanto reabilita aqui uma zona, quer em terra, quer no mar».
Já o presidente da CCDR Algarve enquadrou o arranque do investimento como «um projeto estruturante para a náutica de recreio», salientando a parceria entre a Docapesca, a concessionária e o município. José Apolinário destacou uma dupla vantagem: «qualifica esta ligação cidade-porto» e salvaguarda «a continuidade da pesca», sublinhando ainda a «forte componente ambiental». Nesse contexto, reforçou a ideia de que «as marinas têm de ser portos verdes e marinas verdes», associando esta evolução à qualificação do território e à integração urbana.
Do ponto de vista regional, o turismo náutico foi apontado como um eixo de diferenciação e crescimento. «É do tipo de investimentos que o Algarve e o país precisam», afirmou André Gomes, presidente do Turismo do Algarve, sublinhando que a expansão reforça competitividade e qualificação e acrescenta capacidade e qualidade a um segmento com «um potencial enorme ainda de crescimento» na região.



