Vuelta Vertical alcança o Pacífico Sul após 37 dias e 5 800 milhas desde a Cidade do Cabo

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A expedição oceânica Vuelta Vertical alcançou, no dia 27 de março às 17h50 (UT), o Oceano Pacífico Sul, após percorrer 5.800 milhas náuticas (cerca de 10.742 km) desde a Cidade do Cabo, na África do Sul, a bordo do veleiro de alumínio de 68 pés Alegría Marineros.

A tripulação, composta por sete elementos, soma já 37 dias consecutivos de navegação numa das etapas mais exigentes do projeto. O percurso foi realizado entre os 47º e 48º de latitude sul, com ventos sustentados na ordem dos 35 nós, rajadas até 63 nós e ondulação média entre 3 e 4 metros, com picos que atingiram os 6,5 metros.

Atualmente, a embarcação navega a sudoeste da Nova Zelândia, mantendo rumo a Valdivia, no Chile, onde a chegada está prevista para o próximo dia 3 de maio. Restam ainda cerca de 5.200 milhas náuticas (aproximadamente 9.630 km), o que corresponde a cerca de mais 25 dias no mar.

Vida a bordo e autossuficiência
Um dos aspetos mais marcantes desta etapa tem sido a vida a bordo. Após mais de cinco semanas de navegação ininterrupta, a convivência entre os tripulantes mantém-se, segundo a equipa, “muito boa — algo que, numa etapa desta natureza, é quase tão importante quanto as condições meteorológicas”.

A autossuficiência tem sido igualmente determinante. Durante este período, a tripulação geriu de forma autónoma energia, combustível, água e alimentação. Os produtos frescos já se esgotaram, sendo a dieta agora baseada sobretudo em arroz, massa, alimentos congelados e conservas — uma realidade comum em travessias oceânicas de longa duração.

Condições extremas e incidentes a bordo
A estratégia adotada por Paula Gonzalvo e Pedro Jiménez, com recurso a ferramentas meteorológicas, consistiu em contornar as depressões pelo quadrante nordeste, tirando partido dos ventos favoráveis sem entrar nas zonas mais severas.

Ainda assim, no dia 24 de março, a tripulação enfrentou dois episódios particularmente exigentes provocados por ondas isoladas de grande dimensão. No primeiro, um golpe de mar projetou os tripulantes de bombordo para estibordo no interior do salão, causando contusões, um corte na sobrancelha de um dos elementos e danos em parte do mobiliário. A situação foi resolvida a bordo com o apoio de Yammel, paramédica da tripulação, e assistência remota de uma rede médica de emergência.

Cerca de uma hora depois, uma segunda onda provocou uma escora muito violenta — o incidente mais perigoso desta etapa. Nesse momento, Pedro Jiménez, capitão do veleiro, encontrava-se no convés e conseguiu antecipar o impacto, segurando-se com firmeza. O episódio resultou ainda na quebra de uma antena Starlink e de um painel solar, ambos substituídos com recurso a material de reserva.

Continuação da expedição
Apesar das condições exigentes, o estado geral da embarcação é considerado bom, com a manutenção em dia e algumas reparações planeadas para a chegada a Valdivia. A expedição prossegue também com a recolha de amostras científicas e a transmissão em direto através do canal de YouTube Allende los Mares.

A Vuelta Vertical é uma expedição que liga oceanos, ciência e divulgação através de uma rota única por algumas das águas mais desafiantes do planeta. Após a travessia do Índico, o próximo marco será a chegada a Valdivia, antes de continuar a viagem de circum-navegação.

Sobre
Volta ao mundo à vela entre a Antártida e o Ártico
Vuelta Vertical é uma volta ao mundo à vela que liga as duas regiões polares, combinando navegação oceânica, ciência e divulgação.

Quem está por trás
A expedição é liderada por Paula Gonzalvo e Pedro Jiménez, navegadores e capitães com ampla experiência em navegação oceânica, à frente deste projeto a bordo do Alegría Marineros.

O barco
A expedição navega a bordo do Alegría Marineros, um veleiro customizado de alumínio com 68 pés, preparado para longas travessias em latitudes exigentes.

Início e fim previstos
Vuelta Vertical começou em Castellón (Espanha) em novembro de 2025 e prevê completar a sua volta ao mundo em outubro de 2026, depois de navegar pelos cinco oceanos e ligar as duas regiões polares.

A rota
O projeto percorre algumas das águas mais duras do planeta, com uma rota que liga a região antártica e o Ártico num único ano de navegação, incluindo a circum-navegação da Antártida e a passagem pelo Passagem do Noroeste.

O que torna o projeto especial
● Navegação oceânica em latitudes complexas
● Transmissão em direto 24/7 da travessia
● Recolha de amostras científicas durante a expedição
● Divulgação do dia a dia a bordo e da estratégia de navegação
● Autossuficiência e convivência durante longas etapas oceânicas (algumas com mais de 100 dias)

Última atualização No dia 30 de março, às 12:00 UT, Vuelta Vertical já navega em águas do Pacífico Sul e soma um total de 17.030 milhas náuticas percorridas em 136 dias de expedição desde a partida. A rota já ligou o Mediterrâneo, o Atlântico, a região antártica, o Índico e agora o Pacífi co.

Acompanhamento em www.vueltavertical.com

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