A Limatla, fundada em 1981, dedica-se à venda, manutenção e recolha de embarcações. Focada num serviço premium, garante que cada embarcação está sempre em perfeitas condições. O seu cliente-tipo procura usufruir do barco sem preocupações, confiando na Limatla para todo o apoio técnico. Representa marcas de referência e aposta no marketing digital e na satisfação do cliente como motor de crescimento. O principal desafio é desenvolver a náutica em Portugal, reduzindo custos e melhorando as infraestruturas.
Founded in 1981, Limatla specialises in the sale, maintenance, and storage of boats. Focused on delivering a premium service, the company ensures that every vessel is kept in optimal condition. Its typical customer wants to enjoy their boat without worries, relying on Limatla for full technical support. The company represents leading brands (Monterey, Supra, Rodman, Bayliner and Idea Marine) and invests in digital marketing and customer satisfaction as drivers of growth. The main challenge is to develop recreational boating in Portugal by reducing costs and improving infrastructure.
Texto: Vasco de Melo Gonçalves Fotografia: ©Viver com Gosto
Anuário Náutico (AN) – Quando e como surgiu a empresa?
Limatla (LM) – A sociedade Limatla foi criada em Maio de 1981 e abriu as portas no dia 5 de Junho de 1981. O sócio fundador, Sr. Eng Fonseca Ferreira, trabalhava nos estaleiros Navais de Viana do Castelo e constatou que no futuro porto de mar da cidade iria ser construída uma Marina. Despertou-lhe o interesse e assim surge a Limatla. Inicialmente comercializava as embarcações Riamar, motociclos e motas Yamaha, caravanas Vimara e acessórios para os diversos setores.
AN – Quais são os principais serviços e produtos oferecidos?
LM – O principal negócio da Limatla é a venda de embarcações novas e usadas, o negócio é complementado pela manutenção e recolha das embarcações.
“A Limatla diferencia-se pela manutenção de excelência, recolha e assistência contínua, garantindo que cada embarcação está sempre em condições ideais. O pós-venda, o atendimento personalizado e a formação constante da equipa são pilares para fidelizar clientes e gerar recomendações”
AN – Qual é o perfil-tipo do cliente da empresa?
LM – O nosso cliente é aquele que apenas quer desfrutar da embarcação e que pretende que a Limatla trate da manutenção, reparação, conservação, colocação e retirada da embarcação da água e de todos os serviços necessários ao uso da mesma. As embarcações terão de estar sempre nas melhores condições.
AN – Qual é a missão e visão da empresa no setor náutico?
LM – Manter os clientes satisfeitos e proporcionar-lhes uma utilização muito assídua e diversificada das suas embarcações. Um cliente satisfeito traz sempre mais clientes. Portugal tem locais e condições atmosféricas excelentes e muito diversificadas para que os clientes desfrutem das suas embarcações – nas albufeiras, barragens, rios e mar – que ainda estão muito por explorar.
Temos a obrigação de proporcionar novas experiências e mostrar o que temos de excelente, tanto nas águas interiores como no mar.
AN – Como avaliam o crescimento do setor da náutica de recreio nos últimos anos?
LM – A náutica em Portugal tem crescido muito aquém do desejado. A falta de postos de amarração, a legislação inadequada e os elevados custos com impostos, vistorias, transferências de propriedade e registos das embarcações, nada ajudam ao crescimento da náutica. Temos excelentes planos de água, principalmente nos rios e barragens que poderiam ser muito mais aproveitados e fazer crescer e muito a náutica em Portugal.
AN – Quais são as principais tendências atuais no mercado?
LM – O nosso mercado continua a ser do particular e que navega principalmente nos rios e barragens. Na Foz do rio Douro há muitas embarcações MT que fazem passeios entre a foz e a primeira eclusa com passeios de 3 ou 4 horas. Há pouco mercado de aluguer ao dia de embarcações, com ou sem skipper, e o investimento não é compensado.
“A empresa identifica grandes entraves ao crescimento da náutica em Portugal: falta de marinas e rampas, legislação pesada, burocracia cara e impostos desajustados. Apesar disso, o país oferece condições naturais excecionais — rios, barragens e mar — ainda pouco aproveitadas”
AN – Quem são os concorrentes mais relevantes e como a empresa se diferencia deles?
LM – Há muita concorrência, principalmente, nos serviços e recolhas. Felizmente temos conquistado muitos clientes pois reconhecem o excelente serviço que prestamos nas manutenções e reparações. A nossa equipa tem muito brio profissional e entregamos as embarcações em excelente estado. Todas as embarcações que estão à nossa guarda são polidas todos os anos mantendo um aspeto de boa conservação, os clientes ficam orgulhosos quando as recebem. Fazemos um check-up cuidado para que possamos diagnosticar todos os problemas e sugerimos a resolução dos problemas. Este método tem sido muito importante para que as embarcações façam as épocas sem problemas, mas se algo ocorrer durante a época náutica, intervimos onde a embarcação estiver de forma a minimizar o tempo de inoperacionalidade.
AN – Existem desafios particulares do mercado português?
LM – Claro que sim. A náutica tem de ser massificada e temos de criar condições para que haja mais utilizadores e com custos mais reduzidos. Os registos, transferências de propriedade e vistorias não podem ter custos superiores aos dos outros veículos motorizados, nomeadamente aos dos automóveis, não faz sentido. As embarcações conseguem ser utilizadas durante 6 a 8 meses por ano, o que é bom. Os clientes da náutica também gostam da caça, da neve e de outras atividades e também tem de ter tempo para elas.
A falta de marinas, de postos de amarração, de acessos aos planos de água com boas rampas e parques para que os utilizadores possam aparcar as viaturas e reboques em segurança são aspetos muito importantes para o desenvolvimento da náutica.
Os impostos são um absurdo e de uma enorme injustiça, o IUC tem de ser revisto, pois não se admite os valores que se pagam. Uma mota de água, nova ou com 20 anos, paga em média 500€ enquanto por exemplo uma pick-up de luxo, nova, paga cerca de 60€, um barco com 6 metros que novo possa custar 40.000€ e usado 10.000€ paga cerca de 400€, um veleiro de centenas de milhares de euros pode estar isento ou pagar cerca de 100€.
AN – Qual é o modelo de negócio principal?
LM – A Limatla vai continuar a apostar na venda e, claro, na manutenção e serviços de apoio ao cliente, tanto na recolha de embarcações como no transporte e colocação na água onde o cliente pretender.
Somos representantes de marcas muito reconhecidas como, Monterey, Supra, Moomba, Idea Marine, Rodman, Bayliner e Compass, que são sem dúvida uma grande mais-valia para a Limatla.
AN – Que canais de venda e marketing são mais importantes para a empresa?
LM – Hoje o marketing digital é muito importante. Os clientes fazem um grande trabalho de casa e quando nos contactam já tem uma grande certeza do que pretendem. Também muito importante é a relação de confiança e satisfação dos nossos clientes que depois nos trazem novos clientes.
AN – Qual é a estratégia da empresa para captar e fidelizar clientes?
LM – A melhor maneira de captar e fidelizar os clientes é ter produtos de alta qualidade e ter um serviço premium de apoio no pós-venda.
“A Limatla baseia o negócio na venda de embarcações novas e usadas, complementada por um serviço rigoroso de manutenção, armazenamento e logística. Representa marcas premium e promove experiências e eventos para incentivar o uso das embarcações e atrair novos utilizadores”
AN – Como funciona a logística da manutenção, armazenamento e entrega das embarcações?
LM – Quase 100% das embarcações dos nossos clientes são recolhidas no inverno. Para a Limatla é uma grande mais-valia pois assim temos 4 ou 5 meses para revisões, manutenção e reparações. Durante este período temos tempo de preparar todas as embarcações para que estejam 100% operacionais para mais uma época. Claro que a logística não é fácil pois cada vez mais os barcos são de maiores dimensões e por isso o espaço de armazenamento e reparações tem de ser cada vez maior. As entregas são mais facilitadas pois temos os barcos quase todos prontos para ir para a água e por isso é só carregar num reboque uma pequena limpeza e segue para a água. Conseguimos colocar na água ente 5 a 10 barcos por semana, mas precisamos de aproximadamente 1 mês para pôr tudo na água.
AN – Quais os principais desafios operacionais durante a época alta e baixa?
LM – O principal desafio na época alta é motivar os clientes a usarem e desfrutarem das suas embarcações o máximo possível. Aproveitarem, usufruírem a embarcação que tem com a Família e Amigos e cativar futuros clientes para a náutica.
Organizamos eventos, passeios e convidamos os clientes para novas experiências.
Estamos sempre alerta para resolver algum problema que tenha ocorrido de forma a minimizar a imobilização da embarcação.
Na época baixa, acontecem os diversos Boat Show e mettings com as novidades das marcas, tornando as viagens difíceis de conciliar com os desafios do dia a dia da empresa.
Mas sempre em prol do conhecimento das novidades a dar a conhecer aos nossos clientes.
AN – Quantos colaboradores tem a empresa e quais são as funções mais críticas?
LM – A Limatla tem 5 colaboradores e sinceramente não há nenhuma função critica. Todas tem de ser bastante exigentes, com grande responsabilidade e profissionalismo.
AN – Que competências são mais procuradas no setor náutico?
LM – Manutenção e atendimento personalizado.
AN – A empresa oferece formação específica?
LM – Sim, a formação é muito importante. As marcas também apostam muito na formação dos técnicos. Um bom atendimento, normalmente traz retorno muito rápido. O cliente tem necessidade de se sentir apoiado e sentir que está em boas mãos.
AN – Quais são as principais fontes de receita?
LM – A venda de embarcações novas e usadas
AN – Como têm evoluído as vendas ou o número de clientes?
LM – Temos ganho muitos clientes, tanto na manutenção, pois procuram apoio profissional e de confiança, como nas vendas, pois temos marcas premium e opções para todos os tipos de navegação e finalidades.
AN – Quais são os maiores custos na operação da empresa?
LM – Os custos são muito repartidos por despesas com funcionários, feiras e publicidade, custos com viaturas, deslocações e muito mais.
AN – Quais são os maiores desafios para os próximos anos?
LM – Os maiores desafios será conseguir alargar o número de utilizadores de embarcações, reduzir os custos de utilização, facilitar o mais possível a aquisição de uma embarcação com máxima diversidade de opções com o mínimo de custos e o máximo de rapidez na obtenção da documentação que permita o cliente navegar.
AN – Quais são os projetos ou investimentos futuros da empresa?
LM – Não prevemos nenhum investimento, para um futuro breve, queremos apostar no reforço do apoio ao cliente, na manutenção e na venda de embarcações e no usufruto. É muito importante que o cliente sinta que a compra que fez foi um bom investimento e que sinta que a embarcação é imprescindível para o seu bem-estar e da sua família.

